Piranga

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Piranga nasceu como Arraial de Nossa Senhora da Conceição do Guarapiranga, uma referência à devoção à Virgem Maria, trazida ao Brasil pelos portugueses, e ao pássaro Guará, que povoava as margens do Rio Piranga.

Segundo alguns historiadores o povoamento da região teve seu início em 1691 e a inauguração da primeira capela em honra à Nossa Senhora da Conceição foi registrada em 8 de dezembro de 1695.

O ano de 1704 é considerado como o ano oficial de fundação do Arraial de Nossa Senhora da Conceição do Guarapiranga, que coincide com a descoberta e lavra do ouro a céu aberto, no Córrego das Almas, que corta o centro da cidade.

Entre os anos de 1708 a 1710, a Fazenda da Cotia, em Santo Antônio do Pirapetinga – Bacalhau – foi palco de batalhas da Guerra dos Emboabas, fato marcante da história de Minas Gerais;

Em 16 de fevereiro de 1718, foi erigida a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, uma das cinco primeiras de Minas Gerais.

Em 1º de abril de 1841, foi realizada a emancipação do município, revogada logo depois, e novamente proclamada em 20 de julho de 1868, pela lei 1537. Em 7 de setembro de 1923, o nome do município de Nossa Senhora da Conceição é reduzido para Piranga, como é atualmente conhecido.

Personagens históricos

Muitas são as figuras importantes nascidas em Piranga. Na política, o destaque é Cesário Alvim, primeiro governador de Minas Gerais após a Proclamação da República, que nasceu no distrito de Pinheiros Altos. Foi aqui que também nasceu Francisco Bernardino Rodrigues da Silva, ex-governador do Piauí, que ocupou também o cargo de Diretor Geral do Ministério da Agricultura, no governo Hermes da Fonseca.

No campo das artes, a maior expressão é Mestre Piranga, que tem uma escola de reconhecido valor no barroco mineiro. Outro expoente é o maestro Francisco Aniceto, com muitas de suas obras sendo estudadas hoje na UEMG, UFMG e em outras instituições dedicadas à música.

Piranga sempre foi reconhecida também como celeiro de dedicados pastores e de uma forte religiosidade. Dentre os que se destacam está Monsenhor Messias, grande empreendedor pastoral e administrativo, que se destacou pela edificação de escolas e de seu serviço na Arquidiocese de Belo Horizonte. Outro destaque é Cônego José Renato, professor, reitor do Seminário em Mariana e virtuoso sacerdote que deixou aqui seu exemplo de dedicação e fé.

Marco cultural

Um outro aspecto muito significativo em Piranga é sua vida cultural. O município é representado por três guardas de congo, sendo a mais antiga a Guarda de Nossa Senhora do Rosário da Sede, uma das mais antigas em atividade do estado de Minas, fundada em 1758.

A cidade também conta com três corporações musicais: Corporação Musical Santa Cecília, de 1875; Corporação Musical Nossa Senhora da Conceição de Pinheiros Altos e Corporação Musical Bom Jesus de Santo Antônio do Pirapetinga. A musicalidade de Piranga também pode ser ouvida com o Coral Cristo Rei, fundado na década de 1940 e o Madrigal Amigos em Seresta, fundado em 1996.

A presença negra na formação da história de Piranga é um dado à parte. Deles o município herdou a devoção à Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia e São Benedito, que até hoje são festejados em uma rica festa que reúne tradição, fé e cultura. São duas as comunidade quilombolas autodefinidas com reconhecimento pela Fundação Palmares e outras três em fase de reconhecimento.

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